terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Quem passa fica

Imaginar que só sabemos de nossa existência pelo fato de sabermos da possibilidade de morte, é não só compreender que existência é atravessada por acontecimentos causais, além daquilo que podemos escolher.
Não é o fato de “termos” que nos faz consciente da posse, mas a capacidade que a vida tem de nos retirar aquilo que achamos que é nosso. Aprendi, com os percalços das minhas experiências, que nada é meu, é apenas um empréstimo.
As pessoas, que por sua vez também se inserem neste empréstimo, podem passar pouco ou muito tempo em nossas vidas. Elas podem encontrar formas para que essa passagem seja inteira, completa, possibilitando que quando elas irem, toda sua lembrança seja válida. Afinal, não há experiência mais triste do que aquela que preferimos apagar de nossas memorias. Sei que perdemos tempo, que algumas passagens são tão fugazes, superficiais e falsas que nos dão a ideia que certas pessoas nunca existiram em nossas vidas. Ah! Tem ainda aquelas que fazem viagem, e retornam como bons hospedeiros, alegres e radiantes.
Posso dizer então, não afirmar, pois não tenho nenhum objetivo de impor conceitos, que existem vários tipos de pessoas que passam em nossas vidas. E neste sentido, metaforicamente na minha vida passaram: Os Passageiros, Os Turistas, Hospedeiros por acidente, Moradores Permanentes, O visitante oportunista, O viajante desbravador, Os Mochileiros... E assim vai.
Minha vida não existira sem eles, ainda que alguns apareçam de repente e se vão tão rapidamente como vieram. Alguns reaparecem, enchem novamente nossos olhos de brilho, outros reaparecem para encher nossos olhos de lágrimas. Alguns vêm e vão,  alguns parecem que nunca se vão (mas um dia irão)...
O que mais importa não é que essas pessoas permaneçam, ou mesmo que se vá, mas a capacidade que elas desempenham no nosso crescimento e aprendizagem constante, afinal ninguém nasce e morre pronto, só deixamos de aprender e mudar quando não existimos mais.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Não leve seus olhos tanto a sério




Não consigo ser engraçada quando escrevo. Não que pessoalmente, eu não me considere divertida. Acredito que as pessoas que me conhecem já se divertiram comigo, seja pela minha risada escandalosa, seja pelas minhas mancadas “lesadas”. No final, todo mundo já riu da minha risada. Ah, e tem aqueles que digam: Isis, vc não sabe rir socialmente...
Mas o fato é que sempre que resolvo escrever, o que me impulsiona a relatar os meus sentimentos, é a vontade de escancarar algo que está corroendo por dentro. A vontade de gritar pro mundo uma dor, que dificilmente se arranca só com pensamentos. Tudo bem, sei que poderia estar contando para um amigo, ou o meu terapeuta (há quem diga que isso é melhor). No entanto, é compartilhando dos meus sentimentos, e das minhas facetas, que posso demonstrar a outros, que sentimento é algo comum, que as pessoas amam, desamam, são deixadas, deixam, sentem raiva, rancor, amor, alegria...
O que mais se vê nas redes sociais é a divulgação de festas, baladas, alegrias fugazes, felicidade maquiada por lugares bonitos e pessoas com algum tipo de status.
E por falar em belo...
Gostaria de expor um pensamento, que hoje me surgiu escutando uma música do TM, e que me lembrou bastante do que Saramago nos transmitiu em seu livro “O ensaio sobre a cegueira”.
“amamos o belo, o esteticamente bonito.  Nossos olhos são treinados para apontar o que deverá entrar em nossos corações, e o que deve ficar de fora. E aí, vc diria: mas o belo é algo subjetivo, relativo. Será? Ainda que existam suas peculiaridades, acredito que hoje em dia, as pessoas parecem amar as mesmas coisas, os mesmos tipos, os mesmos estereótipos. Até mesmo as tribos não se distinguem tanto assim. E continuamos o belo:
A menina mais bela, o corpinho mais belo, o carro mais belo, a casa mais bela,  o lugar mais belo...
Isso porque nossos olhos nos comandam, nos guiam para um abismo inexorável, que finda nossa capacidade de amar o que realmente deveríamos: a essência.
E o mais belo das flores não está no que meus olhos enxergam, mas em tudo que meu corpo pode sentir, e até mesmo no que não posso explicar...
Por fim, sobre ser depressiva: não amo só o belo, o alegre... eu acredito na importância da dor e da queda, que facilitam e são fundamentais para o aprendizado, para o crescimento maturacional.

Mas gostaria de deixar um recado, para vc que lê e pensa, que parece um beco sem saida:

"Leve a vida mais leve, não leve tanto a sério, se deixe levar... pois a vida, a vida é só parte do mistério"




Ísis Lima