A beleza desses olhos,
Que às vezes enxerga as mentiras que a boca diz...
Não dá para mentir pra si mesma.
Mentir que tem saída,
Mentir que a saída será necessária,
Que eu não posso ficar mais do que preciso.
Meus olhos mentem, como seus não dizem.
Minha boca não fala, o que eu gostaria de ouvir.
E nada adianta, se estou congelada aqui, na imensidão da falta...
Do não ter por quem chorar, ou chorar por tê-lo perdido.
Por que não posso mais chorar...
Eu quero chorar...
Todos querem que eu ria.
A maioria das pessoas não entende,
Este sentimento não vem e vai tão depressa,
Nem manifesta a qualquer momento.
Eu acho que o tempo ameniza ou cura as feridas,
E então me pergunto:
Quanto tempo eu ainda precisarei?
Pois nada adianta,
A promessa do futuro,
Nem a lastima de um passado,
Se o meu presente está deprimente.
Eu pensei em olhar para trás, e verificar onde errei...
Mas a lástima de novo me atormenta.
Eu tento imaginar que eu não sentirei,
Num futuro bem próximo,
Mas a sensação é que não haverá esse dia.
E então, gostaria de entender:
Por que eu ainda sinto?
Estou nua,
Presa na varanda,
E a multidão me observa,
Pasma, perplexa, e preconceituosa.
Mas me diga:
Quando é que eu posso voltar para casa?
Ísis Lima
P.S.: Poema feito em homenagem a uma amiga. Inspiração integral da mesma.
Ísis Lima
P.S.: Poema feito em homenagem a uma amiga. Inspiração integral da mesma.