domingo, 27 de novembro de 2011

INSANIDADE


A beleza desses olhos,
Que às vezes enxerga as mentiras que a boca diz...
Não dá para mentir pra si mesma.

Mentir que tem saída,
Mentir que a saída será necessária,
 Que eu não posso ficar mais do que preciso.
Meus olhos mentem, como seus não dizem.
Minha boca não fala, o que eu gostaria de ouvir.
E nada adianta, se estou congelada aqui, na imensidão da falta...
Do  não ter por quem chorar, ou chorar por tê-lo perdido.
Por que não posso mais chorar...
Eu quero chorar...
Todos querem que eu ria.
A maioria das pessoas não entende,
Este sentimento não vem e vai tão depressa,
Nem manifesta a qualquer momento.

Eu acho que o tempo ameniza ou cura as feridas,
E então me pergunto:
Quanto tempo eu ainda precisarei?
Pois nada adianta,
A promessa do futuro,
Nem a lastima de um passado,
Se o meu presente está deprimente.

Eu pensei em olhar para trás, e verificar onde errei...
Mas a lástima de novo me atormenta.
Eu tento imaginar que eu não sentirei,
Num futuro bem próximo,
Mas a sensação é que não haverá esse dia.
E então, gostaria de entender:
Por que eu ainda sinto?

Estou nua,
Presa na varanda,
E a multidão me observa,
Pasma, perplexa, e preconceituosa.
Mas me diga:
Quando é que eu posso voltar para casa?

Ísis Lima
P.S.: Poema feito em homenagem a uma amiga. Inspiração integral da mesma.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

DA ROSA, O ESPINHO



Meu mundo sempre desaba quando eu vou até o topo,
Mas ele se ergue a cada olhar que encontro, profundo e singular.
Minha capacidade de desmoronar, me impressiona, como minha capacidade de me reerguer...
Minha capacidade de sonhar me impressiona, tal como minha habilidade de entristecer.
Mas os caminhos se perpetuam no mesmo sentido, na mesma direção, por mais que eles se curvem, eles só têm um destino.
Será que posso confiar na minha intuição, ou na minha razão? Ambas falham... Como eu hei de falhar.
Pois nada é completamente vago, sereno, pleno, completo, superficial, perfeito, falho, falso, verdadeiro, bom, mal...
Constituo cada parte que parece fragmentada, por vezes, quando não posso chorar, quando não posso falar, não posso sentir, sofrer, ter, ser...
O meu impulso de sobrevivência carrega a vontade de evaporar naqueles momentos intensos, plenos e felizes...
E a cada passo, nada parece ter sentido, quando o sentido se esvai.
Eu sei, sou carne e alma...
Sou amor e ódio...
Cabeça e mente...
Coração e sangue.
Subo à maneira que consigo escalar, mas posso vê-lo lá de cima, e se permitir, irei me jogar.