segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Que o tempo nos cure e nos guarde. Amém!

“Que o vento leve nossas apreensões para um canto onde possam ser compreendidas. Que o tempo amenize ou erradique todas as feridas dos nossos erros. Que a vida nos ensine a levá-la mais leve, menos a sério.”

Manhã de segunda-feira e os problemas não pediam licença para chegar. Meu filho havia terminado o namoro. Meu ex-marido queria pagar uma viagem para ele. Não concordava e alegava mais uma vez que estava sendo machista: homem também pode sofrer!
Resolvi andar no meu horário de almoço para distrair. O tempo que dispunha era discrepante  com a quantidade de compromissos agendados para aquele dia e a minha capacidade e agilidade para resolvê-los. Sentia-me cansada. Não pelo momento, mas pela idade que pesava nos pés, nas costas e cabeça. Meu fôlego já não era o mesmo: uma volta na praça e já precisava de um descanso no banco cinza e duro da praça. Eu sempre amei aquela praça, e adorava ver a diversidade das pessoas que ali frequentavam. Não importava, muitas vezes, o risco de uma senhora da meia idade estar ali altas horas da noite. Era meu alivio e a recarga das minhas energias.
No banco cinza, estava uma mulher. Também meia idade? Olhei para o lado, e imediatamente, ainda que o tempo tenha levado sua juventude, aquele rosto nunca me foi esquecido.
Vi Que ela olhou e reparou nas minhas rugas, nos meus cabelos menos sedosos, na minha face modificada. Olhou para as minhas mãos e viu as marcas do tempo. Conseguiu ver que os meus sapatos não são mais da mesma loja que adorava, e as minhas roupas se distinguem em tamanho e jovialidade das que usei quando a vi pela última vez.
Os olhos se enchem d’água, e as lembranças são inevitáveis. Lembramos-nos das grandes e pequenas aventuras, dos amores que acreditávamos ser por toda vida, dos planos de casamentos tão frustrantes nos forçando ao apoio mutuo. Rimos dos nossos filhos, como aprontam! Contamos de como o trabalho está complicado, de como cada uma precisava de férias e momentos para rir e beber uma boa gelada...
Mas os olhos apenas se cruzaram, no tempo da percepção ficar apenas nos sapatos e nos cabelos grisalhos. E toda troca de risada, carinho e amor, nunca existiu. Apenas nos cumprimentamos e partimos, para vida levada a sério.


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Como um navio naufragando.
Como a rosa morrendo.
Como a lágrima incessante.
Como um velório, ninguém para velar.

Não importa os desejos
não suspiro mais saúde.
Se não podes me enxergar,
aos poucos desapareço.

Se o tempo é um curandeiro
onde foi parar a cura?
E por quantas estradas
que passarei
eu sempre o encontrarei...

Sob a poeira dos móveis antigos
Sobre o telhado velho
Ao fundo de uma canção
No piscar dos olhos cansados
e da boca pequena.

A ruína é o começo
do fim de nossas vidas.

(Ísis Lima)

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O MUNDO É UM MOINHO



Por menos ( ou mais) aconteceu a segunda guerra mundial. Aí alguém me pergunta: que diabos você está querendo dizer? 
Quem veste a carapuça compreenderá bem estas palavras. Boa Sorte e boa leitura!




Hitler Simpático





Comecei o dia de hoje pensando em uma frase, mastigando os detalhes, para mais tarde arrotar os acontecimentos.

Será que acreditam que a vida é tão longa, as pessoas eternas e como as coisas  estáticas? 
Magoei a mim mesma com o fato de não poder ter previsto, de nunca ter palpitado quando via as atitudes incoerentes, fruto de uma escolha sem sentido, que não baseou-se no amor que existia (se existia realmente). Me arrependi por não ter agido. Errei muito, pois fui neutra.

Mas por aqui irão saber o que penso e sinto.

Hoje, tendo clareza de todos os pontos, é possível compreender que nada tenho de melhor (nem pior). Eu sou melhor no que posso, e sou na capacidade de permitir ao outro liberdade para ser e estar como bem quiser. Mas as escolhas levam a consequencias, que estão interligadas, serão retornadas de acordo com o que lançaram.  

Não há dor maior que ver alguém sendo injustiçado, mais quando é alguém que amamos. Nossa mente é tomada pela fúria, pela vontade de fazer pelo outro aquilo que achamos o mais justo para ele. Mas posso querer para o outro o meu desejo? 




Eu posso ser o pivô de uma situação, para vingar meus sentimentos, e deixar um rombo no coração de alguém? 



Confiei a Deus todos os momentos da minha vida, e por ele, não vou reivindicar justiça. A ele minhas preces vão em forma de agradecimento, por eu ser capaz de ver o que eles não são capazes, o que eles estão encobrindo por vergonha ou orgulho. 

Agradeço por não ser necessário que manipule ninguém para que o outro me ame, me deseje e fique comigo. Pois é da sinceridade que nasce o amor puro e verdadeiro, não do jogo das possessões. 

Veja, não há algo que impeça de irmos longe, nossa mente que nos limita através dos seus sentimentos obscuros e cruéis. Sim, cruel, não consigo identificar outro sentimento para tal ato sem caráter e cristandade. 

Fique bem, pois é o que desejo para quem inveja a felicidade do outro. O melhor está por vir…
Felicidades, pelo menos enquanto não lhes forem cobrados (com juros) todas as atitudes frias e pequenas.



Cartola compôs uma música, segundo dizem, para sua filha que se tornaria prostituta. Nas sua capacidade inigualável de compor, ele traduziu, em alguns trechos, na imensidão de coisas que perdemos ao fazermos a escolha errada, inconsequente, pautada pelo nosso desejo tão fugaz e egoísta. Delicie-se. E sim, o mundo vai, como um moinho, triturar seus sonhos TÃO MESQUINHOS.

                              Cartola, O mundo é um moinho

domingo, 9 de junho de 2013

Comemore seus poucos e meros anos. Afinal, quem mais pode acreditar em você do que sua própria mediocridade em continuar se esforçando pelo que não é?
A fé  pode ser confundida pela incapacidade de abandonar o que você não quer enxergar que está perdido. Você se molesta todos os dias. Sofre abusos de seus próprios pensamentos. É assediado pelas suas vontades e desejos. Mais nada pode alcançar sua decisão de não desistir, NUNCA!

Diariamente você se coloca numa luta consigo, na batalha de uma guerra sem fim. Sabe-se da sua capacidade de dividir-se entre o certo e o errado, entre o que você julga ser racional e emocional. Não importa os fatos, você segue um instinto baseado numa fé categórica. Oh! Má fé não cabe aqui. Você se esforça para não enxergar todos os verdadeiros fatos, estes que estão na sua frente. Mas não importa, é tudo ilusório, tudo que se apresenta em matéria é pouco demais para trazer a tona uma verdade que (in)existe.

Nós somos frutos de sentimentos de liquidificador, confundido com uma farsa da felicidade plena, que está a espera de todos nós.
Comumente eu sou convergida a acreditar que tudo que eu faço é em prol da busca da perfeição da minha vida, guardado qualquer fato estranho (quiçá exótico).

Mas toda essa conversa louca é uma forma de transformar meus verdadeiros sentimentos em enigma, fazendo o leitor outro maluco, interpretando verdades aleatórias. Sou eu, incapaz de assumir meus próprios sentimentos ou verdades?!

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Carmuzia



A velha história de Carmuzia nunca ia se passar no Cinema. Ela era uma velha, e escutava demais o seu radio velho (que chiava muito) todos os dias. Adorava aquele programa romântico, que dava oportunidade para as pessoas desesperadas mandarem seus recados para seus (as) amados (as). Não entendia o que era divertir, o que era rir, o que era sofrer, nem o que era chorar. Não sentia. Ela aprendeu assim. Quando a perguntavam se havia sofrido pela morte do seu esposo, cujos foram casados durante trinta anos, ela não sabia responder. Dizia, não sei, não senti.
Certa noite, quando ligou o rádio para escutar o seu velho e rotineiro programa, esbarrou no botão e teve que sintonizar o rádio. Neste momento, uma voz grave, porém suave, comunicava a morte de um famoso, um ator muito conhecido. Carmuzia decidiu que escutaria o anúncio fúnebre.  Não porque se interessava pela morte ou vida do ator, mas porque queria ouvir uma noticia ruim, como se procurasse, de alguma forma, sentir.
O Radialista demonstrava tristeza em sua voz, como se lamentasse. Carmuzia tentava compreender porque um comentarista de rádio estava tão atordoado com uma morte, todos os dias morriam milhares de pessoas. Não tão famosas, mas era comum que as pessoas morressem, ela pensava. Parecia um pensamento frio, como se ela não tivesse coração.
Aquela mulher não sofreu  de amor, mas também  nunca se apaixonou .
Aquela mulher não decepcionou-se, mas não manteve nenhum laço de amizade.
Aquela mulher nunca chorou, nem de riso nem de tristeza.

Quando o locutor terminava o anúncio fúnebre, anuncia a leitura de uma carta, que aquele ator havia deixado, como herança para seus filhos. Carmuzia logo imaginou que iria falar do testamento, das fortunas que aquele astro tinha acumulado por toda a vida, mas que agora de nada o valia. De repente, o locutor, eloquente e mantendo o tom de sua voz, começa a ditar um epitáfio um tanto quanto triste.
Suas palavram começaram vagas, e Carmuzia continuava a picar os legumes para o jantar. Quando o radialista, disse: "eu não vivi, não senti. Passei a vida procurando o correto, procurando não incomodar os outros, sendo o que gostariam que eu fosse. Passei parte da minha vida acumulando riquezas, que hoje, não servem para me deixar feliz. Tive oportunidades de sentir grandes emoções, mas me prendi no medo das consequências, medo de não dar conta de quando a felicidade esvaísse.  Preferi permanecer na tristeza a passar fortes e significativos momentos bons. Tive a oportunidade de escolher, mas preferi a segurança, o monotono, com medo de me arriscar. Não me permiti permitir. Não fui capaz de deixar que os momentos fornecessem os mais valiosos tesouros, quantas vezes cortei gritos de felicidades dos meus filhos para não incomodar os vizinhos? Por quantas vezes não me permiti dar aquela gargalhada, pelo fato de não ser cortês? Por quantas e quantas vezes eu quis comer uma azinha de franco com a mão, mas o restaurante era chique demais. Me servi da etiqueta, do padrão, da qualidade, mas esqueci de soltar o meu coração, de abrir minha mente, de sorrir por nada, de chorar de dor, de carregar minha cruz.
Esqueci que não há nada mais importante que o amor.
Mantive, e não vivi. A herança que deixo a vocês, meus filhos, é a vida. Se vocês estão lendo esta carta é porque foi permitido a vocês, então permitam-se.Vivam, deixem que as coisas simples os envolvam, que o amor os guie, pois não há motivo se não este para estarem vivos."

Aquela mulher que nunca nenhuma palavra a tocara, nenhum abraço a fez sentir humana, nenhum beijo a fez apaixonar-se, viu uma lágrima escorrer em seu rosto. Largou tudo que estava nas mãos, entrou no seu quarto e fez suas malas. Quando já estava no seu portão, um vizinho a perguntou: "-Carmuzia, vai viajar e deixar sua casa sozinha?" Ela respondeu com um sorriso, e continuou. Seu destino era a vida.


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Quando o sorriso não contagia...




Não vai doer nada se você não tentar. Mas também pode não fazer nenhum bem, mas você deve tentar. E não é válido fugir, porque devemos ser fortes. Não é permitido chorar, nem se aporrinhar,  nem se aborrecer, nem acertar, nem errar. Nunca é possível chorar.

E quando esvai, e os pensamentos longe, se encontram com o nada. 
Quanto dura uma morte? 
Quanto deve durar uma vida?
As companhias nem sempre são boas, ou será que não sou capaz de identificar.
Passei tanto tempo procurando, e quando desisti, perdi no seu olhar.
Ah! Facetas da vida, não podemos nos enganar, é o fato de ser ou não ser...
Quantos de nós está aí, na penumbra. No entanto é a luz que quer, e não consegue alcançar. Esquece de aproveitar a sombra, e procura o que não lhe é permitido. E quando a luz se aproxima, cega-se.
Ah, faça-me o favor!
Quero sorrir, mas não importa se meu sorriso não será correspondido. Quero chorar, e não é pra comover a ninguém. É porque eu quero, é assim que sinto. Não me peça para não sentir, porque meu coração ainda bate, minha mente ainda reflete, eu sou viva, humana.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Há Tempos


Não tem tempo,
não tem dia,
nem tem hora.
Quando ele vem,
 vem sem demora.
Vem acompanhado,
Traz luz,
Emoção,
Coragem
E vida.
Mas ele não pode ser devaneio,
Porque não há engano,
Nem recomeço.
É o novo, mais que velho,
Já estava presente,
Tão perto e tão distante.
Mas o que me importa?
É não importar para o que passou,
É sonhar.
E de nada adiantou afastar.
E quer saber, ele tá aí, e quem dirá que existe razão?
Não dá pra perder tempo, 
É tao raro e puro,
Tão sacana e divertido,
Tão voraz e permanente,
Tão singelo e nobre,
Tão nosso,
O meu,
O seu,
Amor.


Ísis Lima

domingo, 26 de agosto de 2012

Quando a chuva passar...

Quando o andar as vezes fica pesado, e bem sei, não há ninguém que possa carregar a cruz para vc. Mas nenhum peso será a mais do que possa carregar...
Eu fico pensando, o quanto é preciso ainda carregar, para compensar o que já zombei do peso alheio.
Mas não se empresta a felicidade, tão pouco a dor... só se sente quem os possui, sofrimentos são intrinsecos à condição humana, mas não podem ser transformados em fardos maior que a felicidade ou a condição de bondade. Mas confesso, que nesse momento não vejo nenhum equilibrio, está desproporcionalmente pesando pelo lado obscuro...
Mas a receita é viver o momento, pq ele passa. Deixá-lo guardado, transformará em amargura...
Quem sabe, amanhã será de risos que ele prevalecerá? Já dei risadas de tantas tragédias...
O amor é a chave, e eu tenho de sobra...

terça-feira, 31 de julho de 2012

Felicidade


Será que existe uma fórmula para ser feliz?
Será a felicidade parte integrante da busca incessante pela perfeição?
Ou criamos demasiadamente conceitos para o que traz felicidade?
Segundo poema do Anitelle, para cada pessoa felicidade tem um motivo, que gira em torno de suas crenças, sua cultura, suas vivências, está relacionado com aquilo que cada um sonha ou planeja pra si:

Felicidade?
Disse o mais tolo: "Felicidade não existe".
O intelectual: "Não no sentido lato".
O empresário: "Desde que haja lucro".
O operário: "Sem emprego, nem pensar".
O cientista: "Ainda será descoberta".
O místico: "Está escrito nas estrelas".
O político: "Poder".
A igreja: "Sem tristeza, impossível. Amém".
O poeta riu de todos, e, por alguns minutos, foi feliz.

E hoje, quando olhei algumas fotos antigas, algumas músicas preferidas, algumas frases escritas, poemas inventados, visuais que deixei outros novos que adotei, enfim, uma quantidade infindas de acontecimentos que hoje somam o que sou, como estou... 
Mas o que mais impressionou, foram as mudanças, de fatos que me foram caros, outros tão dolorosos. As mágoas, tantos perdões por decepções, por vezes tão pouco relevante, alguns não pude dar nem receber...
E quanto a felicidade que Anitelle quis falar, o que ela significa para mim?
Significa, que no meu "epitáfio" não quero borracha, não quero desejar voltar atrás e fazer tudo de outra forma. A felicidade para mim é esse aprendizado, o crescimento, a soma de experiências. O amor, a paz, a fé, as conquistas, as alegrias, etc., serão o pilar da felicidade, que eu não colherei sozinha, terei muitos para deliciarem deste fruto tão trabalhoso de ser cultivado: meus amigos e minha família.

Felicidade para mim, é construção, conquista e aprendizado e fé. E como diria o sábio Gilberto Gil : "Pela estrada que ao findar vai dar em nada do que eu pensava encontrar."








segunda-feira, 2 de julho de 2012

Não é pra magoar


Não é pra magoar...
Quando nos encontramos era tudo tão colorido. E aí tempo passou,e nada, só amizade. E tempo passou mais um pouco e tive que assumir ficou colorido demais. O circulo se fechou, e tenho que confessar, foi esperteza demais. E agora preciso assumir:

“E eu nunca vou te esquecer amor,

Mas a solidão deixa o coração neste leva e traz.



Veja bem além destes fatos vis.


Saiba, traições são bem mais sutis.


Se eu te troquei não foi por maldade.



Amor, veja bem, arranjei alguém







chamado saudade." (Marcelo Camelo)





quinta-feira, 28 de junho de 2012

Soprando as velinhas...


Acredito que todo aniversário remete a uma reflexão. Mas não é qualquer reflexão... é o demomento avaliar o que se tem feito, o que fiz da minha vida até que e como ou de que forma isso influencia o que sou hoje, além do que eu projeto pro futuro.

Obriga que eu pense o que amadureci, o que eu aprendi com os anos todos que passaram  e que ainda passarão (assim espero). Mais além, me faz pensar o que eu ainda preciso amadurecer para me tornar a pessoa ideal que eu mesma imaginei. Afinal, esse ideal está tão distante do real? Essas analises, reflexões, tudo faz parte desse momento. Não é só soprar a velinha, receber os abraços, os presentes (espero que sejam muitos rsrs), oferecer minha casa para os amigos... é saber pontuar que os meus erros e acertos e como eles foram essenciais para que eu me tornasse quem eu sou hoje. É não descartar e tentar apagar aquilo que me magoou de alguma forma, aqueles pessoas que pareciam insignificantes, mas de alguma forma serviram para que eu aprendesse dar valor as pessoas que realmente me importam. Hoje, eu não sou a mesma de ontem, e muito menos serei a mesma amanhã, mudamos constantemente... mas algo permanece, e é por isso que algumas pessoas passam em nossas vidas e ficam, por bastante tempo... Algumas que se foram, e  nem deu tempo de despedir? Algumas que despedi e foi tão doloroso, e ensinou que a dor é necessária. Ah! Mas as que me proporcionaram os momentos mais importante, felizes e de crescimento na minha vida, essas eu ofereço um brinde, e sobretudo, o meu agradecimento. Você que está lendo saberá, afinal de contas, permaneceu, não é mesmo?

Obrigada Deus por mais um ano viva, feliz e com saúde. Obrigada Mãe por me conceber e cuidar de mim quando mais precisei e era incapaz. Obrigada pai por ser o pilar da casa, por me ensinar a centrar no que quero. Obrigada meus irmãos, por me dar amor, carinho e amizade. Obrigada meus amigos, por me aturarem quando não eram obrigados, afinal sou chata pacas (risos).
 Um quarto de século e vamos que vamos!

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O futuro é seu, "o que fazemos com o que fizeram de nós"?

Às vezes nos restringimos ao fracasso, que nos prega uma peça, sempre vindo em momentos inesperados. Mas nos prepararmos para o pior nos torna pessimistas? Tenho uma amiga que geralmente analisa todos esses pontos, e antes que dê errado ela tenta planejar esses percalços. Como assim? É como se ela tentasse ajustar e prever aquilo que é inesperado. Está bom, parece que ela vive ansiosamente tentando prever um futuro que ainda nada se sabe, mas ela pelo menos se prepara.   

Mas há algo por trás de cada queda, de cada choro, cada dor, que nós ainda (geralmente) não sabemos: se há sombra é pq há algo que encobre essa luz, que nos leva a crer que tal sombra é só o resquício de algo bem maior, mais elaborado e que é o responsável por tanta dor. Jung Fala da sombra de forma tão singular, que quando ouvi sobre o assunto me fascinou: 
"Para sermos mais precisos quanto à natureza da sombra, podemos dizer que se assemelha a variadas constelações, cada uma delas constituindo um “complexo psíquico”. Por sua vez, cada complexo é composto por um conjunto organizado de imagens, palavras e emoções, formando uma estrutura autónoma e dissociada do eu consciente. Esta estrutura constitui uma “sub-personalidade” comparável a uma “personagem” de uma peça de teatro, autónoma, independente do encenador e dotada da sua própria personalidade." (http://oladosombra.wordpress.com/2007/11/05/a-concepcao-junguiana-da-sombra/).
Isso leva a crer, que o que há na sombra é muito mais belo e interessante do que imaginamos. Há muito o que aprender com aquilo que nos é fornecido em forma de dor, tristeza, "obscuridade", do que com o próprio momento de euforia, alegria, felicidade etc.. A gente não consegue, na verdade, entender que aquilo que está por trás da sombra é o motivo da sombra: o que se repete é geralmente o motivo pelo qual sofremos... entendeu? 
Bom, o que eu gostaria de dizer é que devemos parar, olhar para nós, para os nossos erros e tentar pensar por qual motivos o repetimos... Observar qual o motivo que certas situações se repetem em nossas vidas, nos destruindo figurativamente ou concretamente na forma de doenças psicossomáticas. Lembre-se, vc é o dono de si e do mundo que vc enxerga e vive. Se não modificar o que há por dentro, tudo que lhe for apresentado não fará diferença, nem acrescentará. Será como alguém que enxerga o mundo preto e branco, qualquer cor nova não passará de variações de cinza.



terça-feira, 12 de junho de 2012

O Rio que corre e alimenta à sua margem é o mesmo que devasta




Abrem-se as comportas e o que escorre é o rio da felicidade.
Não a pura e simples, mas a busca.
Não a conclusão, mas o encaixar das peças desse quebra cabeça, que por vezes parecia inexplicável.
Quem importa se ontem foi negro se o dia hoje está claro e fresco, pronto para ser aproveitado.
E se chover?
Eu pego meu guarda-chuva e danço na chuva,
Sapateio como Gene Kelly.
E quem poderá me dizer que a tempestade não cessará?
Quem me dirá que o sol vai se pôr, quando eu quero ver a lua linda e brilhante?
Quanto eu tive que escutar para aprender ouvir, e quanto ainda preciso abrir meus ouvidos e apreender as palavras, outrora amarga, doce ou rancorosa, são palavras...
E ninguém dirá o quanto eu fui incapaz, não saberá que a covardia me fez forte e melhor.
Não é hoje que me faz, mas a certeza que os dias vêm e vão, levando dor e tristeza, trazendo sorrisos e alegrias, trazendo e levando tantos e todos que pareciam eternos.
Sei que quando tenho pesadelo, tenho a sensação da realidade permanente. E os sonhos vêm me dizer que tudo, tudo passa. 

domingo, 13 de maio de 2012

"Infinito Particular" (Parafraseando)


Perceber que o sol brilha para todos, mas o seu colorido é enxergado de formas distintas. A escuridão é algo subjetivo, e vai de encontro ao momento. Não posso dizer que sou grata, mas que sou imensamente capaz de absorver aprendizado daquilo que parecia me fazer cair. O velho ditado: Aquilo que não mata, fortalece. Pois é, não importa, a queda pode ser imensa, mas eu sempre uso paraquedas. É na dor ou na alegria, eu sou sempre forte. Aprendi comigo mesma, pois eu sou inimiga e aliada, paradoxalmente.
Esse labirinto, essa complexidade que é meu coração. Fechado, imenso. Talvez uma terra nunca explorada. Uma imensidão a ser desbravada, nessa ilha tão distante e desconhecida. Não há motivos para chorar, não vem, não existe, nunca existiu. É sempre um passo, um degrau...
Sempre há confusão, amor não é isso...
Então o que é??
Responda quem puder...

sábado, 14 de abril de 2012

Esconder tanto pra deixar que morra?

Eu ia te pedir pra ir embora,
Mas vc ficou de um jeito inesperado,
e o retrato não demonstra o meu rosto desesperado.

Porque nada disso tem fim,
é cíclico ou coisa assim.
Não importa o quanto eu te queira
vc sempre vai embora, à sua maneira.

Mas nada do que eu diga tem valor
perto do que eu sinto,
do que tento sentir,
não é amor...

E ninguém entenderá,
que a negação é forma de não aceitar
o que não controlamos,
no que não temos poder sobre nós.

Então agora não vou chorar
não posso ficar,
Você não pede pra eu ficar
e me prende no olhar...
Sei nada é para sempre
mas quanto tempo mereço ainda
ou é enquanto o  seu tempo durar?


P.S.
Poema informal, e inspirado depois de ouvir uma música que um amigo tocava...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Quem passa fica

Imaginar que só sabemos de nossa existência pelo fato de sabermos da possibilidade de morte, é não só compreender que existência é atravessada por acontecimentos causais, além daquilo que podemos escolher.
Não é o fato de “termos” que nos faz consciente da posse, mas a capacidade que a vida tem de nos retirar aquilo que achamos que é nosso. Aprendi, com os percalços das minhas experiências, que nada é meu, é apenas um empréstimo.
As pessoas, que por sua vez também se inserem neste empréstimo, podem passar pouco ou muito tempo em nossas vidas. Elas podem encontrar formas para que essa passagem seja inteira, completa, possibilitando que quando elas irem, toda sua lembrança seja válida. Afinal, não há experiência mais triste do que aquela que preferimos apagar de nossas memorias. Sei que perdemos tempo, que algumas passagens são tão fugazes, superficiais e falsas que nos dão a ideia que certas pessoas nunca existiram em nossas vidas. Ah! Tem ainda aquelas que fazem viagem, e retornam como bons hospedeiros, alegres e radiantes.
Posso dizer então, não afirmar, pois não tenho nenhum objetivo de impor conceitos, que existem vários tipos de pessoas que passam em nossas vidas. E neste sentido, metaforicamente na minha vida passaram: Os Passageiros, Os Turistas, Hospedeiros por acidente, Moradores Permanentes, O visitante oportunista, O viajante desbravador, Os Mochileiros... E assim vai.
Minha vida não existira sem eles, ainda que alguns apareçam de repente e se vão tão rapidamente como vieram. Alguns reaparecem, enchem novamente nossos olhos de brilho, outros reaparecem para encher nossos olhos de lágrimas. Alguns vêm e vão,  alguns parecem que nunca se vão (mas um dia irão)...
O que mais importa não é que essas pessoas permaneçam, ou mesmo que se vá, mas a capacidade que elas desempenham no nosso crescimento e aprendizagem constante, afinal ninguém nasce e morre pronto, só deixamos de aprender e mudar quando não existimos mais.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Não leve seus olhos tanto a sério




Não consigo ser engraçada quando escrevo. Não que pessoalmente, eu não me considere divertida. Acredito que as pessoas que me conhecem já se divertiram comigo, seja pela minha risada escandalosa, seja pelas minhas mancadas “lesadas”. No final, todo mundo já riu da minha risada. Ah, e tem aqueles que digam: Isis, vc não sabe rir socialmente...
Mas o fato é que sempre que resolvo escrever, o que me impulsiona a relatar os meus sentimentos, é a vontade de escancarar algo que está corroendo por dentro. A vontade de gritar pro mundo uma dor, que dificilmente se arranca só com pensamentos. Tudo bem, sei que poderia estar contando para um amigo, ou o meu terapeuta (há quem diga que isso é melhor). No entanto, é compartilhando dos meus sentimentos, e das minhas facetas, que posso demonstrar a outros, que sentimento é algo comum, que as pessoas amam, desamam, são deixadas, deixam, sentem raiva, rancor, amor, alegria...
O que mais se vê nas redes sociais é a divulgação de festas, baladas, alegrias fugazes, felicidade maquiada por lugares bonitos e pessoas com algum tipo de status.
E por falar em belo...
Gostaria de expor um pensamento, que hoje me surgiu escutando uma música do TM, e que me lembrou bastante do que Saramago nos transmitiu em seu livro “O ensaio sobre a cegueira”.
“amamos o belo, o esteticamente bonito.  Nossos olhos são treinados para apontar o que deverá entrar em nossos corações, e o que deve ficar de fora. E aí, vc diria: mas o belo é algo subjetivo, relativo. Será? Ainda que existam suas peculiaridades, acredito que hoje em dia, as pessoas parecem amar as mesmas coisas, os mesmos tipos, os mesmos estereótipos. Até mesmo as tribos não se distinguem tanto assim. E continuamos o belo:
A menina mais bela, o corpinho mais belo, o carro mais belo, a casa mais bela,  o lugar mais belo...
Isso porque nossos olhos nos comandam, nos guiam para um abismo inexorável, que finda nossa capacidade de amar o que realmente deveríamos: a essência.
E o mais belo das flores não está no que meus olhos enxergam, mas em tudo que meu corpo pode sentir, e até mesmo no que não posso explicar...
Por fim, sobre ser depressiva: não amo só o belo, o alegre... eu acredito na importância da dor e da queda, que facilitam e são fundamentais para o aprendizado, para o crescimento maturacional.

Mas gostaria de deixar um recado, para vc que lê e pensa, que parece um beco sem saida:

"Leve a vida mais leve, não leve tanto a sério, se deixe levar... pois a vida, a vida é só parte do mistério"




Ísis Lima 

domingo, 22 de janeiro de 2012

Não posso esquecer...

Antes de mais nada, preciso esclarecer: não estou triste! Como para alguns, acreditam que só escrevo no meu blog quando estou triste, já digo de antemão: estou extremamente feliz!!!

O Poema é uma metáfora da felicidade que estou vivenciando, e confesso que não sabia que merecia tanto!
Espero que ela realmente dure enquanto for possível.


Não posso esquecer


"Corri por muito tempo,
me defendi de muitos
e enganei meu coração por fracos olhares,
bestas promessas.
Justifiquei os erros alheios,
pelas minhas fraquezas inevitáveis.
Sonhei com o inexistente,
e o príncipe  sempre virava sapo.
Porque eu acreditava que alcançaria minha perfeição,
então me dedicava à procura do perfeito.


Para muitos balela,
contingências da vida,
mas sua chegada eu pressenti. 
E não espero o perfeito,
o eterno,
o fácil.
O preço cobrado não será pequeno.
E o esforço,
a dedicação, 
os obstáculos.
Serão parte do caminho,
das curvas sinuosas,
das tempestades ferrenhas,
do Sol escaldante...


Mas a certeza da felicidade,
essa sim,
completa,
inocente,
revigorante.


Dos devaneios que me permiti,
nenhum foi tão real e sincero...


Mas não posso esquecer,
que seja eterno enquanto dure."


Ísis Lima


Ah! E não posso esquecer tb: Obrigado Meu Deus!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A amizade - Khalil Gibran

"Vosso amigo é a resposta a vossas necessidades.
Ele é o campo que semeais com amor e colheis com agradecimento.
É a vossa mesa e vosso fogão.
Pois vindes a ele com fome e o buscais para ter paz.

Quando vosso amigo fala com sinceridade, não tenhais medo do "não" em nossa mente, nem restrinjais o "sim".
E quando ele estiver silencioso, vosso coração não deixa de escutar o coração dele;
Pois sem palavras, na amizade, todos os pensamentos, todos os desejos e todas as expectativas nascem e são compartilhadas, com uma alegria imensurável.

Quando sois parte de vosso amigo, não sofreis;
Pois o que mais amais nele poderá ficar mais claro em sua ausência, como a montanha para os alpinistas, fica mais clara na planície.

E que o proposito da amizade não seja mais do que aprofundar o espirito.
Pois o amor que busca mais do que a descoberta de seu próprio mistério não é amor, mas uma rede: e apenas o inútil é pescado.

E que o que tenhais de melhor seja para o vosso amigo.
Para que ele conheça a vazante da vossa maré, deixai também que conheça a vossa enchente.
Pois o que é vosso amigo para que o busqueis para matar o tempo?
Buscai-o sempre para viver o tempo.
Pois ele deverá preencher vossa necessidade, mas não vosso vazio.

E, na doçura da amizade, que haja risos e o compartilhar de prazeres.
Pois no orvalho das pequenas coisas é que o coração encontra sua manhã e se renova."


(Trecho do Livro: O profeta, de Khalil Gibran)

domingo, 27 de novembro de 2011

INSANIDADE


A beleza desses olhos,
Que às vezes enxerga as mentiras que a boca diz...
Não dá para mentir pra si mesma.

Mentir que tem saída,
Mentir que a saída será necessária,
 Que eu não posso ficar mais do que preciso.
Meus olhos mentem, como seus não dizem.
Minha boca não fala, o que eu gostaria de ouvir.
E nada adianta, se estou congelada aqui, na imensidão da falta...
Do  não ter por quem chorar, ou chorar por tê-lo perdido.
Por que não posso mais chorar...
Eu quero chorar...
Todos querem que eu ria.
A maioria das pessoas não entende,
Este sentimento não vem e vai tão depressa,
Nem manifesta a qualquer momento.

Eu acho que o tempo ameniza ou cura as feridas,
E então me pergunto:
Quanto tempo eu ainda precisarei?
Pois nada adianta,
A promessa do futuro,
Nem a lastima de um passado,
Se o meu presente está deprimente.

Eu pensei em olhar para trás, e verificar onde errei...
Mas a lástima de novo me atormenta.
Eu tento imaginar que eu não sentirei,
Num futuro bem próximo,
Mas a sensação é que não haverá esse dia.
E então, gostaria de entender:
Por que eu ainda sinto?

Estou nua,
Presa na varanda,
E a multidão me observa,
Pasma, perplexa, e preconceituosa.
Mas me diga:
Quando é que eu posso voltar para casa?

Ísis Lima
P.S.: Poema feito em homenagem a uma amiga. Inspiração integral da mesma.